Antes de ir ao trabalho normalmente abro a janela de casa e já começo a ouvir o som de flautas dançando no ar. Na escolinha aqui perto, a primeira tarefa dos pequenos é cantar juntos ou tocar alguma música com flautas, e é a coisa mais linda amanhecer assim. Quase como passarinhos trazendo um sopro de vida logo no início das manhãs.
Já ouvi músicas da Gal, do Caetano e me emocionei também ao ouvir La Belle de Jour, minha canção preferida do Alceu Valença. Sempre que passo por lá no caminho eles ainda estão tocando a melodia, rindo e, às vezes, cantando também junto com os professores.
Eu acho fantástico perceber que nessa escola a hora de se divertir pode vir antes do aprendizado, e que a tentativa de aprender uma melodia ou o ensaio com toda a turma já é sentir a própria música do dia nascendo.
Lembro que no meu tempo (amo usar essa expressão) de ir à escola, a gente precisava fazer uma fila e esperar pra entrar na sala da forma mais comportada possível para não atrapalhar o fluxo nem perder a hora da aula.
O estudo era o principal foco, mesmo quando ainda estávamos aprendendo a ler. A brincadeira era inserida quase que pontualmente nos horários de intervalo ou depois da aula, e a música nos momentos de alguma celebração.
Quando íamos brincar de amarelinha na hora do recreio, tinha que ter muito cuidado para não pisar fora dos quadros ou não jogar a tampinha do guaraná caçulinha pra fora do céu. Imagina o risco de errar? E era preciso muito cuidado, pulando num pé só, sem se desequilibrar, respeitando cada etapa até chegar ao céu, a fase final.
É engraçado lembrar que o medo de jogar a tampinha fora da linha já parecia uma falha grave na brincadeira ou até no destino, e como esse receio de que uma simples falha pudesse trazer algo ruim foi crescendo junto com a infância. Já faz um tempo que não vejo mais amarelinhas no chão. Será que os medos das crianças de hoje mudaram?
Não sei, mas alguns receios ainda tenho, como o de deixar o chinelo virado para baixo no meio da casa ou de comer a sobremesa antes do almoço. Tem ensinamento de mãe que a gente não esquece de jeito nenhum, né?
Agora acordo me sentindo feliz de ouvir as notas de músicas sopradas pelas crianças, e me permito também cantar sem me preocupar com a afinação certa antes de partir para os compromissos do dia. Às vezes é na coragem de tentar ou de não se preocupar tanto em sair da linha ou errar nas notas, que encontramos o tom que toca a nossa vida.
indicações gerais da semana:
tenho gostado muito de aproveitar o tempo de deslocamento do trabalho pra descobrir novos discos no spotify, e amei demais o novo álbum da olivia dean
(estou pensado em fazer a próxima edição aqui da news com indicações de mais outros discos que descobri agora por último, o que acham? <3)
achei incrível essa série de fotos de pessoas admirando (e se mesclando a ) obras de arte em museus:
um canal com vídeos de asmr de journaling, colagem e outras experimentações muito cozy
participei do clube de colagem online da Andresa com outras mulheres de várias regiões do Brasil pelo meet, e é muito bom ter um momento assim pra fazer coisinhas que a gente gosta com quem tá na mesma vibe de descontrair e ter um tempinho mais criativo na rotina. :`) compartilhei as colagens que fiz aqui:
já tô animada pra participar do próximo encontro, que o tema será de cafeterias mágicas no halloween. pra se inscrever e participar também, é só clicar aqui.
muito obrigada pela companhia.
um beijo e até mais!


